AS CRIANÇAS INVISÍVEIS

Patrícia Reis consegue ir mais longe (ou mais perto), decompondo o drama numa identidade específica, fazendo emergir sem complexos o impercetível do visível e resgatando da indiferença casos catalogados sobre cuja justiça é comum pontificar.

 

O espectro emocional desenhado suscita questões como quantas famílias pode uma criança, protegida ou exposta atrás de um projeto de nome reduzido a uma capitular, abarcar; ou quantas horas e vidas consegue um escritor recuperar dos seus dias de jornalista a pisar cristais de tempo, para que este se transforme em modo e circunstância; ou o que significa ter uma família “de verdade”; ou ainda o que é a casa de cada um.

LUÍSA MELLID-FRANCO,

A REVISTA DO EXPRESSO
07/12/2019

Escreve esta ficção com o treino dos bons jornalistas, o talento dos verdadeiros escritores e uma empatia que não se aprende nem se treina. O livro adota o ponto de vista das crianças, a partir de casos que a autora conheceu e investigou. As crianças não têm género - são identificadas por iniciais -, o que significa que cada um as imaginará como quiser, meninos ou meninas, mas raramente felizes. A felicidade, se acontece, é na instituição onde vivem (a Casa) e nunca nas casas para onde vão, adotadas por pais instantâneos que nunca estão à altura das expectativas que proclamam, com a justificação de que as crianças nunca estão à altura das fantasias que os adultos construíram.

FILIPE SANTOS COSTA,

EXPRESSO
12/11/2019

CONSTRUÇÃO DO VAZIO

A prosa cuidada de Patrícia Reis adequa-se ao tom melancólico, a uma espécie de sfumato.

JOSÉ MÁRIO SILVA, EXPRESSO
6/5/2017

Impressiona a crueza com que Patrícia Reis vai projetando um filme que dispensa uma sequência lógica e formal – a cruzada contra os advérbios de modo é apenas um exemplo da prática, plena, de evitar requintes que possam fazer amolecer uma narrativa que se quer seca e dura, mesmo que as personagens pudessem indiciar, à partida, outras soluções. 

JOÃO GOBERN, DIÁRIO DE NOTÍCIAS
12/6/2017

Revela uma narrativa madura e uma criatividade que, atrevo-me a dizer, faz com que nos esqueçamos completamente de escritores que ganharam prémios.

EDUARDO PITTA, DA LITERATURA

Ela combina a sua capacidade de nos surpreender com a revelação de tudo aquilo que sempre preencheu os nossos medos e incertezas.

LUÍSA MELLID-FRANCO, EXPRESSO

GRAMÁTICA DO MEDO

Gramática do Medo, de Maria Manuel Viana e Patrícia Reis, segue a ideia de mistério e da demanda detectivesca para a subverter e a fazer implodir, de um modo surpreendente, num crescendo construído com a subtil destreza do Henry James de A Fera na Selva (obra não por acaso referida no texto). Há uma provocação dupla implícita neste projecto: partir da tradição menorizada do romance policial para escrever um romance em que o móbil do crime é a menorização contínua, persistente, insidiosa dessa metade da Humanidade constituída pelos seres do sexo feminino. 

INÊS PEDROSA, COLÓQUIO

2016

O QUE NOS SEPARA POR CAUSA DE UM COPO DE WHISKY 

VENCEDOR DO PRÉMIO LITERÁRIO LYONS DE PORTUGAL

Ao chegarmos à vigésima página, percebemos que se está no interior de uma proposta sólida, e, ao terminar a última, conclui-se que se acaba de ler um livro verdadeiramente precioso. Um livro breve, apenas 89 páginas que se lêem de um fôlego. Como arrumá-lo? Muito simples — “O que nos Separa dos Outros por Causa de um Copo de Whisky” deve ser disposto entre os livros de lombada estreita que perduram por um tempo de leitura largo e nos obrigam a voltar atrás.

LÍDIA JORGE, COLÓQUIO
2014

O seu novo romance começa em Macau com a descrição de um encontro inexistente entre um professor e uma empregada de bar. É o pretexto, um prodigioso exercício de imaginação acerca da perda e do destino por cumprir.

FRANCISCO JOSÉ VIEGAS,

CORREIO DA MANHÃ
05/10/14

CONTRACORPO

É para as linhas inimigas que caminham os filhos? Este campo de batalha entre desconhecidos ligados pelo laço mais íntimo é o território do sétimo romance de Patrícia Reis, "Contracorpo". 

SÍLVIA SOUTO CUNHA,

VISÃO
25/04/2013

POR ESTE MUNDO ACIMA

O último livro de Patrícia Reis apaixona. O desastre é deste tempo. Mas vem de manso, parece não perturbar (...)

MARIA ALZIRA SEIXO,

JORNAL DE LETRAS
15/06/2011

Em poucos anos, Patrícia Reis (n. 1970) marcou o território da voz própria. “Por Este Mundo Acima”, centrado num futuro de contornos difusos, é o mais ambicioso dos sete romances que publicou.

EDUARDO PITTA

SÁBADO
27/07/2011

A Patrícia Reis, que constrói este livro claramente como algo que se deixa também aos mais novos, desde logo ao seu filho, cura os delírios da infância, e efabulando embora instintivamente, coloca acima de tudo o imperativo de chegar ao outro, estar aqui para o outro, cuidar do outro, abreviar distâncias, criar proximidade. 

VALTER HUGO MÃE

JORNAL DE LETRAS
13/07/2011

«Eu, que me imaginei sempre em desespero e suicida num cenário de horror, eu, de vocação nenhuma para barata humana, aprendo a esperança no livro de Patrícia Reis, que nunca estaria completo sem o tópico, em que é sempre magnífica, da questão dos géneros.»

VALTER HUGO MÃE

JORNAL DE LETRAS

ANTES DE SER FELIZ

Patrícia Reis mergulhou no universo da Figueira da Foz, que conhecia bem da juventude, e teceu uma narrativa inteligente sobre o amor.

LUÍS SILVESTRE

SÁBADO

24/04/2010

Patrícia Reis sabe dessa arte de escrever, de passar sentimentos, de fazer com que o leitor se sinta um espelho desse mundo interior que ela vai criando em ficções como “Amor em Segunda Mão” (2004) ou “Cruz das Almas” (2006). E agora em “Antes de ser Feliz”.

ISABEL LUCAS

DIÁRIO ECONÓMICO

20/03/2010

NO SILÊNCIO DE DEUS

“No Silêncio de Deus” é uma história de duas solidões paralelas, retrato de duas personagens em busca de (um) romance, uma história que se bifurca. Em memórias, melancolias e desencontros.

MÁRIO SANTOS,

PÚBLICO
26/09/2008

Atravessando os desertos da mágoa é possível chegar a esse lugar onde o silêncio de Deus se fende e as palavras que nos faltaram ou feriram de súbito refulgem, com uma transparência que faz as vezes de felicidade. Escreve-se para isso, mas raras vezes se consegue, como agora conseguiu a Patrícia Reis, escrever exactamente isso. 

INÊS PEDROSA,

REVISTA LER
01/10/2008

MORDER-TE O CORAÇÃO

A escrita é precisamente o maior mérito deste livro breve, espécie de cruzamento de pensamentos íntimos, desarrumados no tempo, mas não no sentimento, dispostos de modo a falar de vidas desarrumadas na Geografia da Terra e nos acontecimentos da História. 

LÍDIA JORGE,

OS MEUS LIVROS
2007

Este (short) livro é precioso (e raro) e deve ser manuseado com cuidado, contém emoções.

JOSÉ EDUARDO AGUALUSA,

CAPA DO LIVRO

AMOR EM SEGUNDA MÃO

Patrícia Reis [é uma] escritora que tem vindo a ganhar, livro a livro, um sólido lugar na literatura portuguesa actual.

MIGUEL REAL,

JORNAL DE LETRAS